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O Rap Indica com o Gilberto Yoshinaga! #ORapIndica

Hoje O Rap Indica traz um dos maiores ativistas do Hip Hop Brasileiro.
Organização UM SÓ CAMINHO, integrante do site www.centralhiphop.com, escritor da biografia Nelson Triunfo: Do Sertão ao Hip-Hop, entre outros trabalhos, com vocês, Gilberto Yoshinaga (Gilponês):

Gilponês


O Rap Informa: Quem é Gilberto Yoshinaga?

Gilponês: É um jornalista apaixonado pela cultura hip-hop há 23 anos, que procura trabalhar em prol do hip-hop positivo da maneira que for possível: editando matérias no portal www.centralhiphop.com, escrevendo livro, aprendendo a lidar com vídeo, produzindo beats (hobby), realizando eventos, abrindo portas e agregando pessoas que tenham afinidade de pensamentos e atitudes. E é também um ser humano, que já errou muito e ainda tem o direito de errar, mas tem o dever de sempre seguir tentando acertar e aprendendo novas coisas com todo tipo de pessoas, ambientes e situações.

O Rap Informa: Em 2011 estamos vendo grupos/MCs investindo cada dia mais em produtores, marketing, fotógrafos,assessores de imprensa, etc. Podemos dizer que estamos caminhando em direção ao aperfeiçoamento? Estamos sendo "nois por nois" ?

Gilponês: Acredito que estamos no caminho certo, mas o hip-hop ainda precisa evoluir muito mais seu modo de pensar e agir. Precisa respeitar seus verdadeiros heróis e sua história, se unir mais, deixar o ego de lado e aprender a aceitar críticas. O bom é que as pessoas estão percebendo que o hip-hop é só um mero instrumento, um veículo que serve para nos despertar o senso crítico e nos ensina a enxergar o mundo de forma diferente. Mas a vida não se limita ao hip-hop, ele não representa 100% do que vivemos. O mundo não pode ter só DJs, MCs, b.boys e grafiteiros. Precisamos ter todo tipo de profissional com consciência sobre a importância de seu trabalho individual dentro de um coletivo chamado sociedade. E o hip-hop está aprendendo a enxergar isso: também precisamos de professores, advogados, pesquisadores, escritores, atores, cineastas, fotógrafos, produtores de eventos, engenheiros de som, profissionais de confecção, agentes políticos, etc. Até já escrevi um texto sobre isso, chamado "Nem todos serão MCs" - http://centralhiphop.uol.com.br/site/?url=colunas_detalhes.php&id=449

O Rap Informa: Conte-nos sobre o projeto "Biografia de Nelson Triunfo". Tem alguma novidade que pode nos adiantar?

Gilponês: Comecei a escrever este livro sozinho, sem tempo nem dinheiro, há uns dois anos. Na época, eu trabalhava mais de 10 horas por dia em um jornal e mal tinha tempo para me dedicar a isso. Eu já era fã e amigo do Nelsão havia mais de 10 anos, e decidi tocar esse projeto porque certa noite sonhei que tinha escrito este livro. Quando acordei, fiquei com a ideia na cabeça, liguei pro Nelsão e felizmente ele topou passar sua trajetória de vida para o papel. Recentemente, consegui apoio do governo federal, através da Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) para concretizar este objetivo. O livro está quase pronto, vai se chamar "Nelson Triunfo - Do Sertão ao Hip-Hop" e deve chegar às ruas até outubro deste ano. Pelo menos é essa a minha expectativa. Acredito que muita gente vai se surpreender quando conhecer o ser humano chamado Nelson Gonçalves Campos Filho, sua história de superação, seus preceitos, a pureza de seus sentimentos, sua paixão pela arte e pela natureza, sua bagagem cultural diversificada. Hoje, que conheço Nelsão muito melhor do que antes, posso afirmar que ele é um tipo raro de ser humano, tem uma alma superior à dos demais mortais. Tem uma aura de gênio que já o torna imortal na cultura brasileira. E me orgulho muito de poder registrar e perpetuar a história dele. Vale lembrar que também estou participando da produção do documentário "Triunfo", que também vai contar a história do Nelsão, e deve ficar pronto em 2012.

O Rap Informa: Como ativista da Cultura Hip Hop, se você tivesse o poder de mudar algo de imediato em nossa cultura, o que mudaria?

Gilponês: Eu mudaria a mentalidade de quem ignora a essência transformadora e conscientizadora do hip-hop e coloca o lado financeiro como prioridade. Acho importante evoluirmos financeiramente, gerarmos empregos, fazermos o dinheiro girar na cultura e termos o devido reconhecimento pelo trabalho que fazemos. Mas o dinheiro não pode ser a prioridade, não podemos permitir que ele suborne sentimentos e ideologias - como algumas pessoas têm se deixado seduzir. Quando uma pessoa muda de discurso ou postura por causa do fator financeiro, ela deixa de ser resistência e, sem perceber, passa a representar a desistência - palavra que lembra fracasso, conformismo, derrota. A pior prostituição é a da mente. E vários heróis da cultura já provaram que é possível ganhar dinheiro de forma digna, sem corromper seus ideais, sem ter de fazer "rebolation" em ritmo de rap. Um exemplo que eu sempre cito de atitude inteligente e idônea no hip-hop é o GOG, mas há muitos outros guerreiros que são exemplos a serem seguidos e celebrados.

O Rap Informa: Indique-nos um livro.

Gilponês: Só um? Poxa... Vamos lá: o melhor livro que já li na minha vida chama-se "Musashi", foi escrito pelo japonês Eiji Yoshikawa, e tem quase 2.000 páginas. Conta a saga do mais famoso samurai do Japão e transmite muitos ensinamentos que podemos incorporar ao nosso dia a dia. Vale a pena ler mesmo! Mas também acho muito válido citar a obra completa de Machado de Assis, o clássico "Crime e Castigo", do russo Fiódor Dostoiévski, que considero o segundo melhor livro que já li, e os livros do inglês George Orwell ("1984" e "A Revolução dos Bichos") e do checo Franz Kafka ("A Metamorfose", "O Castelo" e "O Processo").

Gilponês Indica:

- Bob Marley & The Wailers - "Concrete jungle"
- James Brown - "It's a man's man's man's world"
- Miguel de Deus - "Black Soul Brothers"
- Athalyba e a Firma - "Salve o rei (Superstar)"
- Nelson Triunfo & Nhocuné Soul - "Novo aboio"




Para finalizar, Gilberto também indicou a música "Novo Aboio", do mestre Nelson Triunfo:

Felipe

Felipe

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